A Besta pode ser má... Mas os vizinhos são amigos!
Damos-lhe as boas-vindas ao blogue dos vizinhos da besta! Palavra que não há motivo para sentir medo ou desconforto. Somos pessoas de bem... ainda que de sanidade mental questionável.
Os vossos amigos, 667, 668, 669, 670 e 671.
Os vossos amigos, 667, 668, 669, 670 e 671.
O mensageiro
Olá a todos. Aviso desde já que não tenho paciência para conversas cordeais com os leitores [se é que vocês existem] portanto não esperem frases com palavras que nos fazem ter um dicionário ao lado para compreendermos um post que no fundo não diz nada de jeito.
Vejam isto como um bom elemento do Blog: uma maior diversidade entre posts, e quem sabe, os leitores assim até comecem a criar afeição a determinada maneira de escrever de um dos vizinhos.
Desde que criámos este espaço tenho pensado no que poderia contar-vos, eu que levo a minha vida pacata e rotineira sem quaisquer acontecimentos fora do normal...pois é, acontece que há questão de uns dois dias deparei-me com uma situação que veio quebrar com a normalidade dos meus dias.
Aconteceu no comboio, no mesmo comboio onde todas as manhãs as carruagens estão apinhadas de gente, ia acompanhado de uma colega de trabalho que também se demonstrou deveras surpreendida com a situação. E passo então ao desenrolar da acção:
Estava eu muito calmo e repugnado com os piolhos imaginários a saltarem de cabeça em cabeça naquela carruagem, como é habitual, e Sofia [a colega] idem...
A meio da viagem, surge algo que não se vê todos os dias...abriram-se as divisões da carruagem e pelo meio da multidão eis que surge tal ser que decide parar mesmo ao nosso lado. Quem era?
UM INIMIGO DA BESTA! Sim! Um dos mensageiros do verdadeiro rival da besta.
Um senhor de pele escura, com uma mala preta relativamente grande e com "um crucifico sem cruz" ou seja, era mesmo só "O Jesus" [peço desculpa algum tom herege, não é por mal] na posição em que foi crucificado, agarrado ao peito!
Este mensageiro do inimigo da Besta, ou por problemas de etnia ou de idade ou seja aquilo que for...não falava muito bem, o que me deixa triste, pois suscitou-se em mim tal interesse no discurso do homem que não consegui desviar o olhar de cima dele.
Foram apenas duas coisas que percebi, com a ajuda de Sofia, quando ele começou a falar, aparentemente para a carruagem toda: repetia no meio de balbucios e enrolamentos de língua [talvez algum ritual para expulsar os demónios - há quem diga que é um dialecto derivado do português, mas eu não acredito] conseguia-se perceber: "CHEIRAR MAL....isso é que é azar!" seguido desta bela frase, que devia tomá-la inclusive como pensamento do dia, o sujeito retira uma garrafa de água dentro da mala, com ervas e especiarias estranhas no interior, e espalhava o líquido na sua careca e na cara.
Após o procedimento para não cheirar mal, pois isso sim, é azar, saía-lhe daqueles pulmões africanos uma palavra que ainda hoje me atormenta dada as vezes que a ouvi num curto espaço de tempo: feiiTIIIIIIÇÇooo!!
Pois é, além da excelente eloquência do senhor, de 5 em 5 segundos, vomitava este grito de guerra fantástico.
A segunda parte desta saga continuou quando o Mensageiro do inimigo da Besta muda de lugar no comboio e atravessa a carruagem duma ponta à outra sentando "O Jesus" em todas as cadeiras vagas pelas quais passou; Encosta-se ao final da carruagem, retira 3 livros da mala e grita: "QUEM LEU ESSES LIVROS? QUEEM?" , "NINGUÉÉÉÉM", de seguida disse algo que deduzo que tenha sido um insulto por não lermos os livros que ele leu com tanta dedicação e esforço.
E pensava eu que isto ia ter um fim mas não, pois vejo-o a tirar dois pregos da mão e referir que conseguia "matar com aqueles dois"...pregos que nem se viam no meio da mão grosseira do mensageiro.
Para despachar esta história que ninguém vai ler devido ao seu tamanho e idiotice, estávamos a chegar ao Rossio, o nosso destino, e no meio de tantos "FEITIIÇOS" e "cheirar mal é que é azar" o senhor assoa-se a um lenço, e decide mostrar a substância expelida do seu corpo...sim, o homem mostrou-nos o seu ranho! Ao fazê-lo lançou os últimos gritos de guerra que ouvi: "OH VÊ? FEITIIIÇO, é FEITIÇO, só tem que aplicar palavra divina para expulsar o feitiço!"
E assim saí do comboio, rumo ao meu destino, com a imagem e principalmente o som, do mensageiro do inimigo da besta.
Assinado: 668
Vejam isto como um bom elemento do Blog: uma maior diversidade entre posts, e quem sabe, os leitores assim até comecem a criar afeição a determinada maneira de escrever de um dos vizinhos.
Desde que criámos este espaço tenho pensado no que poderia contar-vos, eu que levo a minha vida pacata e rotineira sem quaisquer acontecimentos fora do normal...pois é, acontece que há questão de uns dois dias deparei-me com uma situação que veio quebrar com a normalidade dos meus dias.
Aconteceu no comboio, no mesmo comboio onde todas as manhãs as carruagens estão apinhadas de gente, ia acompanhado de uma colega de trabalho que também se demonstrou deveras surpreendida com a situação. E passo então ao desenrolar da acção:
Estava eu muito calmo e repugnado com os piolhos imaginários a saltarem de cabeça em cabeça naquela carruagem, como é habitual, e Sofia [a colega] idem...
A meio da viagem, surge algo que não se vê todos os dias...abriram-se as divisões da carruagem e pelo meio da multidão eis que surge tal ser que decide parar mesmo ao nosso lado. Quem era?
UM INIMIGO DA BESTA! Sim! Um dos mensageiros do verdadeiro rival da besta.
Um senhor de pele escura, com uma mala preta relativamente grande e com "um crucifico sem cruz" ou seja, era mesmo só "O Jesus" [peço desculpa algum tom herege, não é por mal] na posição em que foi crucificado, agarrado ao peito!
Este mensageiro do inimigo da Besta, ou por problemas de etnia ou de idade ou seja aquilo que for...não falava muito bem, o que me deixa triste, pois suscitou-se em mim tal interesse no discurso do homem que não consegui desviar o olhar de cima dele.
Foram apenas duas coisas que percebi, com a ajuda de Sofia, quando ele começou a falar, aparentemente para a carruagem toda: repetia no meio de balbucios e enrolamentos de língua [talvez algum ritual para expulsar os demónios - há quem diga que é um dialecto derivado do português, mas eu não acredito] conseguia-se perceber: "CHEIRAR MAL....isso é que é azar!" seguido desta bela frase, que devia tomá-la inclusive como pensamento do dia, o sujeito retira uma garrafa de água dentro da mala, com ervas e especiarias estranhas no interior, e espalhava o líquido na sua careca e na cara.
Após o procedimento para não cheirar mal, pois isso sim, é azar, saía-lhe daqueles pulmões africanos uma palavra que ainda hoje me atormenta dada as vezes que a ouvi num curto espaço de tempo: feiiTIIIIIIÇÇooo!!
Pois é, além da excelente eloquência do senhor, de 5 em 5 segundos, vomitava este grito de guerra fantástico.
A segunda parte desta saga continuou quando o Mensageiro do inimigo da Besta muda de lugar no comboio e atravessa a carruagem duma ponta à outra sentando "O Jesus" em todas as cadeiras vagas pelas quais passou; Encosta-se ao final da carruagem, retira 3 livros da mala e grita: "QUEM LEU ESSES LIVROS? QUEEM?" , "NINGUÉÉÉÉM", de seguida disse algo que deduzo que tenha sido um insulto por não lermos os livros que ele leu com tanta dedicação e esforço.
E pensava eu que isto ia ter um fim mas não, pois vejo-o a tirar dois pregos da mão e referir que conseguia "matar com aqueles dois"...pregos que nem se viam no meio da mão grosseira do mensageiro.
Para despachar esta história que ninguém vai ler devido ao seu tamanho e idiotice, estávamos a chegar ao Rossio, o nosso destino, e no meio de tantos "FEITIIÇOS" e "cheirar mal é que é azar" o senhor assoa-se a um lenço, e decide mostrar a substância expelida do seu corpo...sim, o homem mostrou-nos o seu ranho! Ao fazê-lo lançou os últimos gritos de guerra que ouvi: "OH VÊ? FEITIIIÇO, é FEITIÇO, só tem que aplicar palavra divina para expulsar o feitiço!"
E assim saí do comboio, rumo ao meu destino, com a imagem e principalmente o som, do mensageiro do inimigo da besta.
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23:42
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